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T1 · Aspiracional rural

Novo agro

A tribo do orgulho do interior produtivo e da estética country como código de identidade. O agro virou hegemonia cultural — não mais um setor econômico, mas um modo de pertencer.

20M

adultos · 13%

+2–3% a.a.

crescimento 2024–2030

Alta

intensidade identitária

Abertura

Novoagro.

A tribo do orgulho do interior produtivo e da estética country como código de identidade. O agro virou hegemonia cultural — não mais um setor econômico, mas um modo de pertencer.

20M

Adultos brasileiros (~13% da população)

+2-3% a.a.

Crescimento estimado 2024–2030

9/10

Álbuns mais ouvidos no Spotify BR são sertanejos

26%

Brasileiros fãs de sertanejo (Quaest/Globo 2026)

Fontes: IBGE Censo 2022 · Quaest/Globo 2026 · L.E.K. análise

Tribo · 01 / 10

Aspiracional rural

Novo agro

O que move

Orgulho produtivo. Meritocracia rural. Família. Aversão a quem fala do agro sem nunca ter pisado nele.

"Criar coisas no mundo real, em oposição a trabalho de escritório que não produz nada" — esta é a frase que organiza a tribo.

Meritocracia rural ("aqui ninguém te deu nada"). Família como núcleo. Conexão com a terra como valor de origem, mesmo para quem mora em capital regional há 20 anos. Fé religiosa moderada-alta.

Aversão a discursos urbano-críticos ao agro, especialmente vindos de São Paulo e Rio. A ostentação produtiva (picape parcelada, boné da John Deere, fivela) sinaliza pertencimento e progresso ao mesmo tempo. Três subgrupos coexistem: o produtor real, o herdeiro urbano e o "agroboy" estético.

26%

Brasileiros que dizem que sertanejo é seu gênero favorito

25%

Do PIB nacional vem do agronegócio

1M

Pessoas/ano em Barretos (maior rodeio da América Latina)

Fontes: Quaest/Globo 2026 · CNA 2024 · Festa do Peão de Barretos · L.E.K. análise

Novo agro

Quem é, em carne e osso

Três rostos da mesma tribo.

A tribo não é homogênea — três sub-perfis convivem sob o mesmo eixo de pertencimento. Estratégia de marca eficaz começa por escolher qual deles endereçar.

A — Produtor real

João, 34

Sinop, MT · Técnico agrícola · R$ 8–15k

Picape parcelada, casa em condomínio horizontal, dois filhos em colégio particular. Final de semana é churrasco, exposição agropecuária, peão em agosto. Vê o agro como o setor que "sustenta o Brasil" — crença identitária, não linha política.

B — Herdeiro urbano

Henrique, 28

São Paulo · Filho de produtor goiano · R$ 12–18k

Mora em Vila Olímpia, trabalha em multinacional de agritech. Voa para a fazenda nos feriados. Estética agro-urbana: bota John Lobb, jeans escuro, camisa branca. Acompanha cotação de boi no celular ao lado do mercado de ações.

C — "Agroboy" estético

Diego, 24

Londrina, PR · Vendedor de revenda · R$ 4–6k

Não tem fazenda. Mas tem bota, fivela, chapéu, picape parcelada e Dodge Ram como sonho. Ouve Ana Castela, Luan Pereira, Antony & Gabriel. Vai a Barretos religiosamente. Adotou a tribo como pertencimento aspiracional.

Fontes: L.E.K. análise qualitativa · personas sintéticas baseadas em pesquisa de campo

Novo agro

Códigos e símbolos

O vocabulário visual e sonoro do agro contemporâneo.

O sertanejo é a língua. Não mais o sertanejo raiz, mas o agronejo.

Fenômeno que emerge em 2021 com "Os Menino da Pecuária" (Léo & Raphael) e explode com Ana Castela, Luan Pereira, Antony & Gabriel. A Dodge Ram virou totem da ostentação agronejo — citada em três grandes hits dos últimos anos. O calendário é santo: Barretos (agosto), Jaguariúna, Caldas Country, ExpoLondrina.

Agronejo

Subgênero

Dodge Ram

Picape-totem

Barretos

Calendário

Boiadeira

Vocabulário

Chapéu+fivela

Uniforme

John Deere

Boné como moda

▶ Assistir no YouTube · 3 min

"Ela Pirou na Dodge Ram" — Luan Pereira & MC Ryan SP, 2023. Hit que consolidou a Dodge Ram como totem cultural da tribo. Produzido em Londrina (PR) por Eduardo Godoy. Clique para assistir.

Fontes: CNN Brasil · Terra · Vídeo oficial YouTube

Novo agro

O que consome

Cerveja mainstream, carne como identidade, picape como capítulo financeiro.

A tribo gasta. Não com sofisticação refinada, mas com narrativa: cada compra é capítulo da história de progresso.

Cerveja Brahma e Skol em escala. Heineken é "cerveja de paulista". Carne bovina como identidade — não dieta, pertencimento.

Picape é o principal item de mobilidade e simbolismo. Vestuário country específico (TXC, Cowboys, Indian Farm). Educação privada confessional. Viagem: fazenda-hotel, Bonito, Olímpia, Caldas. Rejeita plant-based militante e comunicação cosmopolita.

Vendas de picapes no Brasil

Milhares de unidades anuais · 3 modelos-âncora da tribo · 2018–2024

Fontes: Fenabrave · ANFAVEA · L.E.K. análise

Novo agro

Marcas que entendem · 1 de 2

Caso 1: Brahma. Caso 2: TXC Brand.

Brahma

Patrocínio cultural · Circuito Sertanejo 40+ anos

Caso 01 — Patrocínio cultural

Brahma40+ anos antes do agro virar moda

"Entrou cedo. Não tenta explicar o agro — fala como quem é."

Patrocinadora histórica do sertanejo. Circuito em Barretos, Jaguariúna, Caldas, ExpoLondrina — 80 praças. Heineken tentou e não penetrou.

40+ anos

Patrocínio

6M

Pessoas/ano

80

Praças

TXC Brand

Marca de dentro · moda agro paraense desde 2015

Caso 02 — Marca de dentro

TXC BrandDo agro, para o agro

"O dono é pecuarista paraense. Isso transparece em cada coleção."

Fundada em 2015 por Rubens Inácio (pecuarista paraense). R$ 100M em 2024, ~70% masculino. Franquia capilarizada no interior — Hering perdeu esse espaço.

R$ 100M

Faturamento 2024

2015

Fundação (PA)

~70%

Público masc.

Fontes: Meio & Mensagem · AgFeed · CompreRural · L.E.K. análise

Novo agro

Marcas que entendem · 2 de 2

Caso 3: Dodge Ram. Caso 4: John Deere.

Dodge Ram

Totem cultural · marca virou letra de música em 2022

Caso 03 — Totem cultural

Dodge RamQuando a marca vira letra de música

"Citada em três hits sertanejos nos últimos 24 meses. Sem campanha tradicional."

Stellantis. Face da ostentação agronejo desde 2022. Citada em "Ram Tchuuuu", "Ela Pirou na Dodge Ram", "Agronejo". Hilux trabalha; Ram simboliza.

3

Hits no título

173M

Plays Spotify

2022

Início da virada

John Deere

B2B que virou identidade · do trator à moda

Caso 04 — B2B que virou identidade

John DeereO boné é peça de moda

"Marca B2B que virou ícone cultural sem deixar de ser B2B."

Máquinas agrícolas que migraram para identidade cultural. Boné amarelo-e-verde virou peça de moda. Case IH e New Holland perderam a batalha simbólica.

#1

Top of mind

~50%

Share segmento

B2B→B2C

Salto cultural

Fontes: CNN Brasil · Terra · Spotify Brasil · L.E.K. análise

Novo agro

Armadilhas & tensões

Onde marcas erram.

A tribo do agro tem antena fina para apropriação. Marca urbana que tenta falar "agro" sem credibilidade real é detectada e satirizada em horas.

01

Apropriação sem credibilidadeMarcas paulistanas que "descobrem o agro" no Dia do Agricultor soam cínicas.

02

Polarização política latenteQuem adere ao discurso "agro é tudo" ganha T1 mas perde T2 e T10.

03

Tensão com T10 ambientalMarcas grandes precisam de duplo registro sofisticado.

04

Fadiga da estética countryPode haver novo deslocamento em 5–10 anos.

05

Subgrupos com lógicas distintasCampanha genérica para "agro" frequentemente erra os três perfis.